COMO
NASCEU O JUDÔ – VISITA O BRASIL DESTACADO ELEMENTO DO JUDÔ
MUNDIAL – DEMONSTRAÇÕES NAS CIDADES DO RIO DE JANEIRO E
SÃO PAULO.
No século passado, um professor de uma
universidade de Tóquio – Dr. Jigoro Kano – homem de uma
vasta cultura e larga visão, começou a aprender o “jiu-jitsu”,
modalidade de luta existente no Japão há milhares de anos,
e observou que aquele esporte poderia ser praticado por
qualquer pessoa. Começou a estudá-lo a fundo, chegando à
conclusão de que poderia orientá-lo para uma forma mais
esportiva. Após o aprendizado em várias escolas de sua época,
fundou e Instituto Kodokan, Que passou a ser a sede Mundial
do “Jiu-Jitsu”, então com o nome de Judô. O sucesso do Dr.
Kano foi absoluto e o judô é internacionalmente conhecido,
praticado em todo o mundo, regulamentado, tendo uma federação
internacional, possuindo regras para lutas. Assim, a prática
deste esporte é permitida a qualquer pessoa, mesmo a mulheres
e crianças, sendo aconselhado a alguns indivíduos como tratamento
psíquico, pois as finalidades do judô são físicas, mentais
e morais.
No Brasil, o judô conta com grande número
de praticantes, especialmente no Rio de Janeiro e em São
Paulo, apesar da política reinante entre as diversas academias.
Para maior desenvolvimento desse esporte em nosso país,
será necessária a criação da Federação de Judô e conseqüente
filiação à Federação Internacional que é o Instituto Kodokan
de Tóquio, no Japão, a fim de que o Brasil possa participar
dos campeonatos mundiais, patrocinados por este instituto.
É preciso criar uma nova mentalidade sobre este esporte
entre nós, livre das paixões e vaidades pessoais.
Belo exemplo nos deu a Argentina, por
ocasião do último campeonato em Tóquio, cujos representantes
lograram sensacional êxito, conseguindo fazer um campeão
2º Dan.
O órgão controlador do judô, no Brasil,
é a Federação de Pugilismo, que tem a seu cargo o boxe,
a luta-livre e outras modalidades de luta, não podendo dedicar-se
inteiramente ao judô. No último campeonato mundial, por
uma deferência especial ao nosso país, em vista do grande
número de praticantes, a Kodokan nos enviou convite, através
da Embaixada do Japão. A referida Embaixada procurou a Federação
de Pugilismo, negando-se a mesma de participar, achando
que houve desconsideração, uma vez que o convite deveria
ser feito diretamente à Federação e não por intermédio da
Embaixada. Mas, perguntamos: como poderia a Federação receber
convite se não é filiada à patrocinadora do campeonato?
Por esse motivo não mandamos representação à Tóquio.
DEMONSTRAÇÕES
Em outubro p. passado, os aficionados
do judô no Rio de Janeiro, tiveram a oportunidade de participar
de uma demonstração dessa difícil arte, que contou com a
presença de destacado elemento do judô mundial, o professor
YOSHIO KIHARA, 7º grau Dan, do Instituto Kodokan de Tóquio.
O professor KIHARA é um mestre do judô,
possuindo uma técnica extraordinária, tendo atingido um
dos últimos graus para lutadores. O grau máximo é o 10º
Dan, e os praticantes dêsse esporte que lá chegam são raros.
Atualmente, vivos, existem apenas dois, no Japão. Paralelamente
ao judô o professor KIHARA exerce a profissão de engenheiro
químico da Estrada de Ferro da Mandchúria, tendo integrado
a equipe de judô da mesma, na disputa do campeonato japonês,
sagrando-se campeão por equipe. Foi discípulo do grande
mestre Kotani, 8º grau Dan, e ultimamente era professor
de judô da polícia japonesa, na província de Yamagata.
A vinda ao Rio de Janeiro, do professor
Yoshio Kihara, deve-se a diversas associações e academias
locais, tendo o referido lutador se apresentando em suas
sedes, durante uma semana, fazendo uma série de demonstrações,
apresentando um belo espetáculo de técnica e equilíbrio,
demonstrando uma das máximas do judô, que é o aproveitamento
da força física do adversário, baseada na alavanca, proporcionando
a um indivíduo mais fraco fisicamente, sobrepujar um outro
de maior físico. Na demonstração que o professor Kihara
fez com o professor Y. Nagashima, 6º grau Dan, pudemos observar
a sua elevada técnica nos golpes de ataque e defesa. Os
flagrantes da presente reportagem foram tomadas no ginásio
da sede social da Associação Atlética Banco do Brasil.
Observação : Esta matéria
é parte da edição nº 12 do ano de 1956 do magazine “A Cigarra”
publicado no estado do Rio de Janeiro, de circulação nacional.
É parte do arquivo pessoal do professor Messias Rodarte
Correa. O professor Yoshio Kihara veio para o
Brasil em setembro do ano de 1956 e foi durante os 5 anos seguintes, um dos professores da Academia de Judô Messias.
Foi o introdutor do Katá no judô brasileiro, pois até então
para se tornar um faixa preta era necessário apenas a competição.
Veio a falecer em São Paulo no dia 11 de Junho de 1974.