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Messias
Rodarte Correa, sem dúvida alguma é
um pioneiro do judô nacional. Além de
lutar pela arte, ele faz a coisa de coração.
É um exemplo de dedicação à
arte.
Assim, se há pessoas que se dedicaram ou se
dedicam ao Judô, com todas as suas conseqüências
boas ou más, sem restrições,
certamente uma delas é Sensei Messias. Mineiro
de Passos, um dos dez filhos da família Rodarte
Correa, nasceu em 29 de Outubro de 1925
carrega hoje com muita vitalidade de disposição
seus setenta e oito anos.
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É um exemplo de luta pela vida, pela dignidade e pelos
ideais, que perseguiu e alcançou.Essa força
foi herdada de seus pais João Augusto Correa e Maria
José Rodarte Correa.
Já na sua infância Messias mostrava a sua boa
índole, na labuta ao lado dos pais. Quando tinha dez
anos, levantava-se bem cedo e ia encontrar seu pai na oficina
de marceneiro. Sua mãe, também de boa estirpe
mineira, dava aulas com mais de setenta anos de idade. Em1938
Messias veio para São Paulo em busca de novos horizontes,
já que a sua pequena Passos se tornara menor ainda
para as suas aspirações.
Na capital paulista conheceu Zilda Ribeiro, com a qual casou-se
em 1952. Dessa união nasceram três filhos. Seu
filho Milton, hoje é 5o Dan e seguiu as virtudes do
pai. Messias, laboratorista de profissão, atuou em
alguns dos mais importantes laboratórios por mais de
vinte e cinco anos, mas foi no Judô que encontrou os
rumos que nortearam sua vida, que o revitalizaram até
hoje para dar de volta a este esporte, tudo o que recebeu.
É um exemplo para os milhares de alunos que teve e
para toda esta geração de judocas.
Hoje
o seu alto nono grau, que descerra todo o seu passado de realizações
e conhecimentos, o coloca entre os mestres mais entendidos
e conceituados dos esportes de luta. Porém a luta livre
e o Jiu-jitsu antecedem ao Judô na sua vida de esportista.
Da primeira, foi campeão Brasileiro em 1949, e o seu
Jiu-jitsu vem do mestre Takeo Yano que foi aluno do mestre
Nobushiro Satake, companheiro de lutas e viagens do Conde
Koma (Mitsuyo Maeda) com o qual iniciou aos quinze anos o
seu aprendizado, chegando à faixa Preta. Devemos levar
em conta, que, com o nome de Judô era praticado o Jiu-jitsu,
e que só bem mais tarde essas duas lutas se separaram
na filosofia e nos fundamentos, seguindo cada uma o seu próprio
rumo.
Outro
grande incentivador do Sensei Messias no Judô foi o
Sensei Fukaia. Quando se tornou faixa preta, recebeu o certificado
do Kodokan de Tókio como era praxe na época.
Dessa época, ou seja, agosto de 1951, Messias guarda
com carinho os nomes dos professores Akao, Tani, Shigeuichi
Yoshima que era um às do newaza e que, juntamente com
José de Almeida Borges foram os introdutores do Judô
na região de Campinas, no ano de 1949, e também
do Dr. Okoshi. Por falar em Fukaia, Messias não consegue
esconder as lágrimas rebeldes que brotam do seu coração
ao lembrar da despedida deste grande professor e amigo, no
aeroporto de Viracopos, quando este partia para findar seus
dias em sua pátria.
Dos
muitos amigos que o acompanharam na sua trajetória
recorda-se ainda do professor João Gonçalves,
Dr. Arsênio Martins, Edgard Ozon, Luiz Tambucci e Herasmo
Helio Machado Lopes, que teve atuação destacada
na fundação da C.B.J. e F.P.J.
Sensei
Messias, o primeiro árbitro de origem não japonesa,
função que exerceu por muito em sua vida, pela
sua competência, a qual mostrou também como técnico
de várias das nossas seleções e também
como professor. Todos esses méritos culminaram com
o mais alto grau conseguido por brasileiros no Judô,
isto é, o 9o Dan, faixa vermelha, em outubro de 1995.
Nesse
dia Messias foi surpreendido pela presença de mais
de cem ex-alunos, alunos e amigos que lhe demonstraram toda
a admiração, respeito, amizade e carinho. Sensei
Messias diz que quer levar para a sua última morada
o kimono como travesseiro a ter ao seu lado a faixa que envergou
com tanto orgulho. Alguns de seus maiores orgulhos: a honestidade
e retidão, ser da Kodokan e ter sido amigo pessoal
do Sensei Fukaia. Por tudo que ainda faz pelo Judô,
Sensei Messias é um dos maiores exemplos do que é
ser um judoca na concepção da palavra.
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